Bar enche às 18h quando o chope sai mais barato. O risco não é a fila: é descobrir no domingo que cada copo da promoção cobriu pouco mais do que a compra. Happy hour bom para o salão e ruim para a casa é promoção sem conta, não promoção com movimento.
O que definir antes de abrir a faixa
Quatro decisões cabem num papel. Qual item entra — um chope, uma categoria, uma variação. Qual dia da semana e qual horário, na hora da loja, com a janela fechando no fim (das 17h às 20h vale 17:00 e não vale 20:00). Se o preço é fixo (chope a R$ 12) ou um percentual sobre a tabela. Se a promoção vale em feriado ou não: aniversário da cidade, Carnaval e um domingo de jogo mudam o movimento, e “não vale em feriado” evita surpresa.
A promoção nunca aumenta o preço. Se a tabela já está em R$ 12, o happy hour não pode ir a R$ 14 “porque tem banda”. Também não empilha com o preço de atacado por quantidade: entre os dois, vale o menor. Quem espera os dois descontos juntos está vendendo um combinado que a conta da casa não faz.
Um exemplo para não sair no prejuízo
O chope sai a R$ 16 na tabela. O custo médio daquele copo — chope, copo, gelo, gás — está em R$ 6. Das 17h às 20h, de quarta a sexta, você baixa para R$ 12. Sobra R$ 6 por copo antes de imposto e taxa de pagamento. Se na mesma janela o custo real for R$ 11 porque a última compra subiu e ninguém atualizou, sobra R$ 1. Cem copos depois, a casa faturou R$ 1.200 e sobrou R$ 100 para pagar salão, folha e a conta da luz daquele turno.
O exemplo não pede planilha sofisticada. Pede o custo honesto antes de publicar o preço da faixa. Sem esse número, o happy hour copia o bar da esquina e torce.
Feriado, cardápio online e o que a casa esquece
A mesma faixa precisa valer no caixa e no cardápio online. Cliente que lê R$ 12 no celular e paga R$ 16 na mesa não volta. Cliente que lê R$ 16 no celular enquanto o salão está em promoção também não. A janela é uma só, na hora da loja, e pode virar a meia-noite se o bar fecha depois das 0h.
Feriado é o segundo esquecimento. Se a regra é “não vale em feriado”, o calendário da loja — nacional, estadual, municipal, mais as datas que você mesmo acrescenta — suspende a faixa naquele dia. Dá para dispensar um feriado (o aniversário da casa cai num feriado e você quer promoção) ou acrescentar uma data própria de suspensão (dia de evento privado). Sem isso, a promoção corre em cima de um custo de pessoal que já está alto.
Poucas faixas, itens que você de fato quer girar, horário que o bar aguenta. Dezenas de promoções ao mesmo tempo viram exceção que a equipe não explica. Categoria feita só para o happy hour fica no consumo local: não entra no pedido de entrega.
Como saber se valeu a pena
Depois da semana, a pergunta não é “encheu?”. É quanto vendeu na faixa, a que preço, e o que sobrou em relação ao horário normal. Sem esse recorte, decidir no olho pelo salão cheio ganha da conta. Com o recorte, você vê se quarta às 18h paga a promoção e se sexta já estava cheia sem ela — caso em que o desconto só doou margem.