Na adega o mesmo rótulo sai de um em um e de doze em doze no mesmo balcão. O cliente da mesa pede três, depois mais seis, depois fecha o fardo. Se o desconto de quantidade vive na cabeça do caixa, a segunda rodada volta ao preço de varejo — ou o desconto entra duas vezes. Os dois erros aparecem no fechamento, não na hora do “pode deixar”.
Por que o desconto de cabeça falha
O varejo cobra a garrafa. O atacado cobra o fardo. No meio existe a mesa que não comprou o fardo de uma vez: comprou ao longo da noite. A regra justa é somar o que está ativo no pedido e aplicar o preço da faixa quando a quantidade chega lá. Sem essa soma, ou você privilegia quem pede doze de uma vez e pune quem pede em três rodadas, ou o caixa “compensa” no olho e a margem do rótulo vira loteria.
Outro furo: tratar a faixa como desconto no cupom. O cliente lê um abatimento e pergunta na próxima vez. Preço por quantidade é preço praticado. A linha sai pelo valor da faixa, não por um desconto empilhado em cima da tabela.
Como montar a faixa sem se enrolar
Três limites evitam a briga depois. A faixa existe em produto simples — o item que não é combo montável. Dá para cadastrar até cinco faixas. A quantidade mínima da primeira, em unidade, é inteira e pelo menos 2: não existe faixa “a partir de 1”, porque isso é o preço de tabela. O preço da faixa nunca é maior ou igual ao de tabela nem ao de uma faixa menor. Se a garrafa está a R$ 8, a faixa de 12 não pode ser R$ 8 nem R$ 8,50.
Antes de publicar, olhe o custo. Garrafa a R$ 8 com custo médio de R$ 5,50 ainda sobra. Faixa de 12 a R$ 5,40, com o mesmo custo, vira promoção disfarçada de atacado. A conta de margem — preço menos custo, imposto e taxa — continua valendo no preço da faixa, não só na tabela. Sem custo, a faixa é palpite.
Um exemplo na mesa
A cerveja está a R$ 8 a unidade. A faixa começa em 12 unidades a R$ 6,50. A mesa pede 4, depois 5, depois 3. Na terceira rodada a soma chega a 12 e o preço das linhas ativas cai para R$ 6,50. Se a mesa já tinha feito um pagamento parcial nas primeiras 4, aquelas 4 ficam no preço em que foram cobradas; o que entrar depois já nasce na faixa da quantidade total. Congelar no primeiro pagamento evita reabrir o que o cliente já pagou.
Se no mesmo horário houver happy hour nesse rótulo, vale o menor dos dois preços. Os descontos não se somam. Prometer “faixa mais happy hour” na mesma cerveja é um combinado que a operação não fecha.
O que a faixa não faz
Não vale em produto montável. Não muda o preço depois que o primeiro pagamento entrou nas linhas já lançadas. Não é histórico de tabela: o pedido de ontem permanece no preço em que saiu. E não substitui o estoque: dose e garrafa fechada do mesmo rótulo baixam o mesmo saldo, com ou sem faixa.
Quem só vende unidade, sempre uma, não precisa de faixa. Quem precisa que o preço mude depois do pagamento já feito também não: a regra do congelamento existe justamente para a conta da mesa não andar para trás.