Jornada de 40 horas: quanto custa cada caminho para o restaurante

Publicado em 7 de outubro de 2026 · Atualizado em 7 de outubro de 2026

Com o salário mantido e menos horas, cada hora da equipe atual fica mais cara. Exemplo: para quem trabalha 44 horas hoje, a hora fica 4,8% mais cara na etapa de 42 horas e 10% mais cara na de 40, se a proposta for promulgada. Os caminhos são contratar, pagar hora extra dentro do limite da lei ou reorganizar os turnos.

Situação da proposta · 7 de outubro de 2026

PEC 221/2019 em análise no plenário do Senado

Tramitação

Câmaraaprovada · mai/2026
CCJ do Senadoaprovada · 02/09/2026
Plenário do Senadoem discussão
Promulgaçãodepende do Senado

Se for promulgada

42 h e duas folgas60 dias depois
40 h, até 8 h por dia14 meses depois
Saláriosem redução

No plenário são dois turnos, com 49 votos em cada um. Se o Senado mudar o texto, ele volta para a Câmara. Até a promulgação, nada muda: valem a CLT e a convenção coletiva da sua categoria.

Tramitação oficial no Senado Federal

O salário fica; as horas é que mudam

Pelo texto aprovado pela Câmara, o salário não é reduzido por causa da jornada menor. Se a proposta for promulgada, a mesma folha paga menos horas. A hora de quem já está na equipe fica mais cara mesmo sem contratar ninguém. A conta dessa diferença é simples: a jornada de hoje dividida pela jornada nova, menos um.

Nenhuma decisão precisa ser tomada antes da promulgação. Até lá, vale o contrato atual, a CLT e a convenção coletiva da categoria. O que segue é a conta para quem quiser ver o tamanho de cada caminho com um exemplo fechado — não uma recomendação de qual caminho escolher.

Exemplo: dez pessoas em 44 horas

Exemplo: 10 pessoas com jornada de 44 horas. A equipe soma 440 horas por semana. Na etapa de 42 horas, se for promulgada, a soma cai para 420 horas — faltam 20. Na etapa de 40 horas, cai para 400 — faltam 40. Para repor, isso equivale a 0,5 jornada de 42 horas e a 1,0 jornada de 40 horas.

A hora fica 4,8% mais cara na etapa de 42 horas e 10% mais cara na de 40. O percentual não depende do salário em reais: ele sai só da relação entre as duas jornadas. Quem já trabalha 40 horas não vê esse aumento. Exemplo: as mesmas 10 pessoas, se a jornada de hoje já é de 40 horas, cabem nas duas etapas.

Contratar ou pagar hora extra

Os caminhos para repor as horas que faltam são os de sempre. Contratar, em jornada cheia ou parcial. Pagar hora extra de quem já está, com adicional mínimo de 50% e no máximo 2 horas por dia. Reorganizar os turnos pelo movimento de cada dia, sem contar com hora que a lei não deixa. A combinação depende do custo mensal da sua folha — salário, encargos, benefícios, 13º e férias divididos por mês.

Exemplo: custo de R$ 3.200 por pessoa por mês, com as mesmas 10 pessoas em 44 horas. Na etapa de 42 horas, contratar para repor as horas custa R$ 1.520 por mês (R$ 18.290 por ano). A hora extra da equipe atual custa R$ 2.290 por mês, são 2 horas por pessoa por semana, e cabem no limite de 2 horas por dia. Na etapa de 40 horas, contratar custa R$ 3.200 por mês (R$ 38.400 por ano). A hora extra custa R$ 4.800 por mês (R$ 57.600 por ano), são 4 horas por pessoa por semana, e também cabem nesse limite.

O limite não cabe em todo caso. Exemplo: 3 pessoas em 44 horas, na etapa de 40 horas, faltam 12 horas no total — 4 horas por pessoa por semana, e cabem. Com 2 pessoas e uma jornada comparada de 30 horas, faltam 28 horas — 14 horas por pessoa por semana, e não cabem no limite de 2 horas por dia. Quando não cabe, hora extra deixa de ser caminho para a semana inteira.

O que a conta não sabe

Encargos em cima da hora extra, banco de horas e a regra da convenção mudam o valor em reais. O exemplo arredonda para a dezena de propósito: centavos dariam uma precisão que a folha real não tem. Quem confirma o número da sua casa é o contador, com o regime da empresa e a convenção da categoria na mesa.

Esta página não monta a escala nem calcula quantas pessoas cobrem as folgas. Ela só compara o custo de repor horas — contratar ou pagar hora extra — com o salário mantido. Reorganizar o turno pelo movimento do dia não aparece em reais porque depende de como a sua semana já está desenhada.

Quando faz sentido

  • Boa parte da equipe tem contrato de 44 horas e você quer ver o efeito de 42 e de 40 no custo da hora.
  • Você compara contratar com pagar hora extra e precisa do limite de 2 horas por dia na mesma conta.
  • O contador pediu o custo mensal com encargos antes de simular a folha.

Quando repensar

  • A equipe já trabalha 40 horas em cinco dias: as duas etapas cabem, e o custo da hora não sobe por essa conta.
  • A pergunta é quantas pessoas cobrem os dias abertos — isso é a conta de cobertura, não a de custo.
  • Você quer uma projeção do setor ou do emprego no país: esta página só usa o exemplo e o número da sua folha.

Como resolver com o Gustto

O Gustto não calcula salário nem hora extra. No fechamento, a gaveta é conferida só contra o dinheiro esperado, e Pix, cartão e vale aparecem ao lado, no total por forma. O relatório Lucro mostra quanto sobra das vendas, para a conversa com o contador começar pelos números da casa.

Perguntas relacionadas

O salário pode cair junto com a jornada?

Pelo texto aprovado pela Câmara, não. O salário se mantém, e por isso cada hora fica mais cara quando as horas diminuem. Enquanto a proposta não for promulgada, o contrato atual segue como está, com a CLT e a convenção da categoria.

Hora extra cobre a diferença de horas?

Cobre quando as horas que faltam, divididas pela equipe, cabem em 2 horas por dia nos dias de trabalho da jornada nova. O adicional mínimo é de 50%. Se a conta passar desse limite, hora extra deixa de fechar a semana sozinha.

Por que o exemplo arredonda os reais?

Porque encargos, banco de horas e a convenção mudam o centavo, e um valor com centavos pareceria exato sem ser. O exemplo usa o custo mensal informado e mostra o resultado na dezena. O número da sua folha, com o contador, substitui o exemplo.

A conta vale se o Senado mudar o texto?

A conta usa o texto aprovado pela Câmara, que ainda pode mudar. Se o Senado alterar o texto, ele volta para a Câmara, e as etapas podem ser outras. Até a promulgação, nada disso vale: a folha continua a do contrato de hoje.

Fontes oficiais

As informações foram verificadas nas fontes abaixo. A proposta pode mudar durante a tramitação, e a convenção coletiva da sua categoria pode ter regras próprias: confirme na fonte e com seu contador ou advogado trabalhista. Conteúdo informativo, não é orientação jurídica.