Fim da escala 6x1: o que muda para restaurantes, bares e lanchonetes

Publicado em 7 de outubro de 2026 · Atualizado em 7 de outubro de 2026

A PEC 221/2019 limita a jornada a 40 horas em cinco dias, com duas folgas remuneradas por semana e sem redução de salário. A Câmara aprovou o texto em maio de 2026; em outubro, ele está no plenário do Senado. Se for promulgado, a jornada cai para 42 horas em 60 dias e para 40 horas em 14 meses.

Situação da proposta · 7 de outubro de 2026

PEC 221/2019 em análise no plenário do Senado

Tramitação

Câmaraaprovada · mai/2026
CCJ do Senadoaprovada · 02/09/2026
Plenário do Senadoem discussão
Promulgaçãodepende do Senado

Se for promulgada

42 h e duas folgas60 dias depois
40 h, até 8 h por dia14 meses depois
Saláriosem redução

No plenário são dois turnos, com 49 votos em cada um. Se o Senado mudar o texto, ele volta para a Câmara. Até a promulgação, nada muda: valem a CLT e a convenção coletiva da sua categoria.

Tramitação oficial no Senado Federal

O que o texto aprovado pela Câmara estabelece

A PEC 221/2019 muda o artigo 7º da Constituição, que hoje fixa a jornada máxima em 44 horas por semana e 8 horas por dia. Pelo texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio de 2026, a jornada máxima passa a ser de 40 horas, distribuídas em cinco dias, com até 8 horas por dia, e cada pessoa ganha duas folgas remuneradas por semana — uma delas, preferencialmente, no domingo. O salário não pode ser reduzido por causa da mudança.

A regra não alcança quem tem diploma de nível superior e salário de pelo menos duas vezes e meia o teto do INSS, nem o setor público. Convenção ou acordo coletivo pode prever compensação dentro do mês, como acontece na escala 12x36.

Em que fase está

Proposta de emenda à Constituição precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e em dois no Senado, por três quintos de cada Casa. A Câmara concluiu os dois turnos em maio; a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o texto em 2 de setembro de 2026, e em outubro ele está no plenário, onde precisa de 49 votos em cada turno. Se o Senado mudar o texto, ele volta para a Câmara.

A mudança só vale depois de promulgada. Até lá, nada muda: valem a CLT e a convenção coletiva da sua categoria. O quadro no topo desta página mostra a situação mais recente.

O que muda na escala de quem abre todos os dias

Hoje, na escala 6x1, cada pessoa trabalha seis dias e folga um. Com duas folgas, trabalha cinco. Para uma casa que abre os sete dias, a conta que aperta primeiro é a das folgas, não só a das horas.

Um exemplo: um posto do salão aberto 12 horas por dia, sete dias por semana, precisa de dois turnos por dia, porque ninguém passa de 8 horas — são 14 turnos por semana. Com seis dias de trabalho por pessoa, isso pede 2,3 pessoas por posto; com cinco, 2,8. A diferença aparece mesmo quando a soma de horas da equipe parece suficiente.

O texto trata da jornada de cada pessoa, não do horário da casa: abrir no domingo continua possível. Como uma das folgas deve cair preferencialmente no domingo, a escala passa a distribuir os domingos de folga entre a equipe ao longo do mês.

O que muda no custo de cada hora

Com o mesmo salário e menos horas, cada hora trabalhada custa mais. Para quem hoje trabalha 44 horas, a hora fica 4,8% mais cara na etapa de 42 horas e 10% mais cara na de 40.

Para atender o mesmo movimento, os caminhos são conhecidos: contratar, em jornada cheia ou parcial; pagar hora extra, limitada a 2 horas por dia e com adicional mínimo de 50%; reorganizar os turnos pelo movimento de cada dia; ou tirar trabalho manual de cada pedido. Cada um tem custo e limite próprios, e a combinação depende dos números da sua casa. Antes de escolher, vale medir o tamanho de cada um com os números da casa: quantas horas faltam por semana, quantas pessoas cobrem as folgas e quanto passa a custar cada hora.

O que dá para fazer agora

Nenhuma decisão precisa ser tomada antes da promulgação. O que ajuda é ter os números em mãos: quantas horas a casa usa em cada dia da semana, quantas pessoas trabalham ao mesmo tempo no pico e no vale, e o que a convenção coletiva da sua categoria já diz sobre folga, domingo e banco de horas. Com isso, a conversa com o contador começa pela sua conta.

Vale separar esses números por setor — salão, cozinha e caixa —, porque cada um tem o próprio pico, e contar quantas pessoas da equipe estão hoje em contrato de 44 horas e quantas já trabalham menos. É essa lista que mostra o tamanho real da mudança na sua casa.

Quando faz sentido

  • A casa abre seis ou sete dias por semana e a equipe trabalha hoje na escala 6x1.
  • Você monta a escala de folgas à mão, no caderno ou na planilha.
  • Boa parte da equipe tem contrato de 44 horas.

Quando repensar

  • A equipe já trabalha 40 horas em cinco dias: quase nada muda na sua escala.
  • Você pensa em mudar contratos agora — o texto ainda pode mudar no Senado.
  • A sua categoria segue escala 12x36 por convenção: vale o que a convenção disser.

Como resolver com o Gustto

O Gustto não faz escala nem folha de pagamento. O que ele tira do caminho é parte do trabalho que consome hora da equipe: o garçom lança o pedido no celular e a comanda sai impressa na cozinha com o nome de quem enviou, o caixa fecha conferindo só o dinheiro da gaveta e a contagem do estoque é feita no próprio sistema. Usuários são ilimitados em todos os planos — quem entra em meio período ganha o próprio acesso sem custo a mais.

Perguntas relacionadas

A escala 6x1 já acabou?

Não. Em outubro de 2026 a PEC 221/2019 está no plenário do Senado, e enquanto não for promulgada valem a CLT e a convenção coletiva da sua categoria. O quadro de situação no topo desta página é atualizado a cada mudança de fase.

Restaurante vai poder abrir aos domingos?

O texto trata da jornada de cada pessoa, não do horário em que a casa abre. Abrir no domingo continua possível. Como uma das duas folgas deve cair preferencialmente no domingo, a escala distribui esses domingos entre a equipe ao longo do mês. As regras de domingo da convenção da categoria continuam valendo.

O salário pode ser reduzido junto com a jornada?

Pelo texto aprovado pela Câmara, o salário não é reduzido por causa da mudança. Para quem hoje trabalha 44 horas, cada hora fica 4,8% mais cara na etapa de 42 horas e 10% mais cara na de 40. Enquanto a proposta não for promulgada, vale o contrato atual.

A escala 12x36 continua permitida?

O texto aprovado pela Câmara permite, por convenção ou acordo coletivo, compensação de jornada dentro do mês, como na escala 12x36. A convenção da categoria é que decide se isso vale na sua casa. Confirme com o contador ou com o sindicato antes de mudar a escala.

Quando a mudança começaria a valer?

A mudança só começa depois da promulgação. Pelo texto aprovado pela Câmara, a jornada de 42 horas e as duas folgas valem 60 dias depois, e a de 40 horas vale 14 meses depois. Se o Senado mudar o texto, ele volta para a Câmara.

Fontes oficiais

As informações foram verificadas nas fontes abaixo. A proposta pode mudar durante a tramitação, e a convenção coletiva da sua categoria pode ter regras próprias: confirme na fonte e com seu contador ou advogado trabalhista. Conteúdo informativo, não é orientação jurídica.